Aqui está a segunda parte da reportagem sobre exclusão social no Ensino Superior, como prometido.
"PobrUni"
Alguns alunos conseguem fugir dessa triste realidade por meio de serviços de auxílio ao estudante carente e programas governamentais como o Escola da Família, mantido pelo governo do Estado de São Paulo, e o ProUni (Programa Universidade Para Todos), medida provisória criada em 2004 pelo governo federal. Para se candidatar a uma bolsa é obrigatório fazer a prova do ENEM e ter estudado durante todo o Ensino Médio em escola pública ou como bolsista em colégio particular. No ano em que foi criado, o ProUni beneficiou 112 mil estudantes. Julio de Melo Costa, um motoboy de 26 anos, foi um deles.
Estudante de Ciências da Computação na Universidade São Judas, Julio acredita que o apoio do governo foi decisivo para a inclusão dos jovens nas universidades privadas. "O ProUni foi uma das melhores coisas que o governo ofereceu, pois dá chance aos mais humildes". Ele não é o único que pensa assim. No site de relacionamentos do orkut existem cerca 38 comunidades de beneficiados. A maior delas é "Viva o ProUni", que tinha 3.488 membros até maio passado. Nela, eles discutem as vantagens e as desvantagens da medida provisória, e trocam experiências sobre a vivência em um mundo tão diferente do qual estavam acostumados. Há até um apleido carinhoso para o programa, chamado de "PobrUni", numa alusão à origem da maioria dos estudantes.
Texto escrito por Cintia Cristina Araújo, Fernanda Dantas de Castilho e Jacqueline Plensack Viana.
Bem, como não coube hoje, na próxima semana a continuação da reportagem tratará da política de cotas e da discriminação (choque de culturas) entre os alunos pobres e os mais abastados.