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[terça-feira, outubro 03, 2006]

Admirável Vida Nova - parte 1 (Exclusão Estudantil)

Como o tema do blog é exclusão social de todas as formas possíveis, resolvi publicar a reportagem realizada pelas minhas amigas e eu no último semestre, sobre a exclusão do estudante pobre das universidades, sua incapacitação (segundo os "entendidos") para prestar o vestibular etc. Como é um texto longo, publicarei em 4 partes - duas hoje e duas semana que vem. Segue a primeira parte:

Admiravel vida nova (parte 1)

Ensino Médio concluído. É hora de decidir o que fazer da vida. O que projetar para o futuro? Que profissão escolher. Há oportunidade ou não para escolhê-la? Vinícius Gabriel Ribeiro, 18 anos, terminou o colégio e pensa em trabalhar. Paulo César das Neves, da mesma idade de Vinícius, espera ansiosamente pelo resultado do vestibular da USP. Ambos têm planos para o futuro, mas apesar da semelhança de idade, seus caminhos são opostos. Vinícius estudou em escola pública. Paulo, em particular. Quais seriam as chances de Vinícius e Paulo ingressarem em uma universidade? Certamente não seriam as mesmas. A desigualdade quanto às oportunidades de acesso ao Ensino Superior é assunto de inúmeras discussões sobre de cunho político-social.O Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de educação (Consed) divulgou em junho de 2001 dados que comprovam que a probabilidade de um aluno que conclui o Ensino Médio em escola pública ingresar em uma instituição universitária gratuita mantida pelo governo federal é de 1 em 20. Já a probabilidade de um aluno de escola privada fica em torno de 1 a cada 2,6 vezes. As universidades não absorvem mais que 5% dos alunos egressos de escolas públicas. Em São Paulo, o número não passa de 3%. Por que o jovem carente tem tanta dificuldade de acesso à universidade?Para os jovens entrevistados na E.E. Cidade de Osaka, localizada na Zona Leste de São Paulo, e na E.E. Profª Esther Medina, em Santo André, as causas financeiras são predominantes na decisão por não cursar o Ensino superior. Outros fatores também foram citados, tais como falta de tempo, necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar; falta de incentivo por parte da família e da escola e a crença de que ter um diploma não garante sucesso profissional. Há um certo fator primoradial subjetivo: um certo complexo de inferioridade que os impede de prestar vestibular por medo do fracasso. "Faculdade para mim é um sonho muito distante. Trabalhar em um shopping como vendedora já seria a realização do meu sonho", declarou Heloísa Mantovani, 17 anos, aluna do 2º colegial do Esther Medina que mora com a mãe faxineira e o pai desempregado.

Texto escrito por: Cintia Cristina Araújo Fernanda Dantas de Castilho e Jacqueline Plensack VianaNa continuação: ProUni, política de cotas e preconceito contra os bolsistas.


por Jacqueline * 4:20 PM

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